Compreender os textos Bíblicos não é tarefa fácil, e se torna praticamente impossível se não levarmos em conta os aspectos histórico-culturais e os costumes da época em que cada leitura se passa. Há muitas mensagens escritas que se apóiam nestes aspectos, além de leis específicas, metáforas temporais, problemas de tradução e até mesmo estilos usados pelos autores de cada livro, e quais elementos (ou mesmo objetivos) queriam enfatizar em seus textos.

CONDIÇÕES HISTÓRICO-CULTURAIS E COSTUMES DA ÉPOCA DAS PASSAGENS BÍBLICAS

LEITURAS DA SEMANA

"PRÓXIMA REUNIÃO: 3 / Junho 8:00pm"

Antes de cada reunião semanal, colocaremos nesta página informações úteis, sobre cada leitura, para nos ajudar nesta "viagem no tempo" e, assim, com o auxílio do Espírito Santo de Deus, entendermos as mensagens com este pano de fundo histórico e, finalmente, podermos transportá-las aos nossos dias e às nossas circunstâncias de hoje.

Ref. Domingo 7 / Junho / 2026

Domingo - Solenidade de Corpus Christi - Ano A

1ª Leitura:  Livro do Deuteronômio (Dt 8: 2-3, 14b-16a)

O livro do Deuteronômio, o último dos cinco livros da chamada "Lei", ou Pentateuco, apresenta-se como o último grande discurso de Moisés ao povo de Israel antes da entrada na Terra Prometida. Embora os acontecimentos narrados remontem ao período do Êxodo, muitos estudiosos situam a redação final do livro séculos mais tarde, provavelmente entre os séculos VII e VI a.C., durante um período de profundas reformas religiosas e crises nacionais.

Israel havia passado por experiências de instabilidade política, ameaças de impérios estrangeiros e questionamentos sobre sua identidade religiosa. Nesse contexto, os autores sagrados retomam a memória da caminhada pelo deserto para recordar ao povo suas origens e sua dependência de Deus. O deserto ocupava um lugar especial na consciência israelita: era visto como o espaço onde a nação havia sido formada, aprendendo a viver unida e a confiar na providência divina. O texto reflete essa tradição de memória e de transmissão da fé às novas gerações.

2ª Leitura:  Primeira Carta de S. Paulo aos Coríntios  (1Cor 10: 16-17)

A Primeira Carta aos Coríntios foi escrita por São Paulo por volta dos anos 54 ou 55 d.C., durante sua permanência na cidade de Éfeso. Corinto era uma das cidades mais importantes do Império Romano, situada numa região estratégica para o comércio marítimo e terrestre.

A população era extremamente diversa, reunindo romanos, gregos, orientais, comerciantes, escravos libertos e viajantes de várias partes do império. Essa diversidade cultural trazia também uma grande pluralidade religiosa, com templos dedicados a diferentes divindades e práticas muito variadas. A comunidade cristã local refletia essa mesma diversidade social e cultural.

Ao escrever aos coríntios, Paulo dirige-se a uma Igreja ainda jovem, formada por pessoas vindas de diferentes origens e costumes. A carta procura responder a questões concretas surgidas no cotidiano dessa comunidade urbana, que buscava compreender como viver a fé cristã em meio ao ambiente cosmopolita e multicultural do mundo greco-romano.

Evangelho: segundo João (Jo 6: 51-58)

O Evangelho segundo João foi escrito no final do primeiro século, provavelmente entre os anos 90 e 100 d.C., quando a Igreja já possuía várias décadas de existência. Diferentemente dos evangelhos mais antigos, João dirige-se a comunidades cristãs que viviam um período de amadurecimento da fé e de crescente separação em relação ao judaísmo tradicional.

O capítulo 6 situa-se literariamente após a multiplicação dos pães, episódio que atrai grande multidão em torno de Jesus. A narrativa ocorre na região da Galileia, território marcado pela convivência entre populações judaicas e influências culturais do mundo helenístico. A sociedade da época vivia sob domínio do Império Romano, que controlava a vida política e econômica da região.

A comunidade joanina, para a qual o evangelho foi redigido, enfrentava desafios próprios de uma Igreja já espalhada pelo mundo mediterrâneo. O texto reflete um ambiente de intensa reflexão teológica, no qual os ensinamentos e as palavras de Jesus eram preservados, aprofundados e transmitidos às novas gerações de cristãos.

Essas três leituras, embora provenientes de épocas muito diferentes — o período da formação de Israel, a expansão inicial da Igreja e o final da era apostólica — foram preservadas pelas respectivas comunidades de fé como testemunhos fundamentais de sua história e identidade religiosa.