Compreender os textos Bíblicos não é tarefa fácil, e se torna praticamente impossível se não levarmos em conta os aspectos histórico-culturais e os costumes da época em que cada leitura se passa. Há muitas mensagens escritas que se apóiam nestes aspectos, além de leis específicas, metáforas temporais, problemas de tradução e até mesmo estilos usados pelos autores de cada livro, e quais elementos (ou mesmo objetivos) queriam enfatizar em seus textos.

CONDIÇÕES HISTÓRICO-CULTURAIS E COSTUMES DA ÉPOCA DAS PASSAGENS BÍBLICAS

LEITURAS DA SEMANA

"PRÓXIMA REUNIÃO: 10 / Junho 8:00pm"

Antes de cada reunião semanal, colocaremos nesta página informações úteis, sobre cada leitura, para nos ajudar nesta "viagem no tempo" e, assim, com o auxílio do Espírito Santo de Deus, entendermos as mensagens com este pano de fundo histórico e, finalmente, podermos transportá-las aos nossos dias e às nossas circunstâncias de hoje.

Ref. Domingo 14 / Junho / 2026

11° Domingo do Tempo Comum - Ano A

1ª Leitura:  Livro do Êxodo (Ex 19: 2-6a)

O texto que nos é proposto faz parte das “tradições sobre a aliança do Sinai” – um conjunto de tradições de origem diversa, cujo denominador comum é a reflexão sobre um compromisso (“berit” – “aliança”) que Israel teria assumido com Jahwéh.

O texto situa-nos no deserto do Sinai, “em frente do monte”. No texto bíblico, não temos indicações geográficas suficientes para identificar o “monte da aliança”. Em si, o nome Sinai não designa um monte, mas uma enorme península de forma triangular, com mais ou menos 420 quilômetros de extensão norte/sul, estendendo-se entre o mar Mediterrâneo e o mar Vermelho (no sentido norte/sul) e o golfo do Suez e o golfo da Áqaba (no sentido oeste/este). A península é um deserto árido, escassamente povoado, de terreno acidentado e com várias montanhas que chegam a atingir 2400 metros de altura.

Uma tradição cristã do séc. IV d.C., no entanto, identifica o “monte da aliança” com o “Gebel Musah” (o “monte de Moisés”), um monte com 2244 metros de altitude, situado a sul da península do Sinai. Embora a identificação do “monte da aliança” com este lugar levante problemas, o “Gebel Musah” é, ainda hoje, um lugar de peregrinação para judeus e cristãos.

Vai ser pois aqui, no Sinai, diante de “um monte” que Jahwéh e Israel se vão comprometer numa “aliança”. A palavra hebraica “berit”, usada neste contexto, define um pacto entre duas partes, que implica direitos e obrigações, muitas vezes recíprocos. A “berit” raramente era escrita, mas tinha sempre valor jurídico. Habitualmente, o compromisso era selado por um ritual consagrado pelo uso, que incluía um juramento e a imolação de animais em sacrifício.

Será à luz deste esquema jurídico que Israel vai representar o seu compromisso com Jahwéh.

2ª Leitura:  Carta de S. Paulo aos Romanos  (Rm 5: 6-11)

A Carta aos Romanos – já o dissemos atrás – é um texto sereno e amadurecido, escrito por Paulo por volta do ano 57/58 e no qual o apóstolo apresenta uma síntese da sua mensagem e da sua pregação. O pretexto para a carta é um projecto de passagem por Roma, a caminho de Espanha: Paulo sente que terminou a sua missão no oriente e quer anunciar o Evangelho de Jesus no ocidente.

No entanto, a opinião da maioria dos estudiosos da Carta aos Romanos é que Paulo se serve deste pretexto para lembrar, quer aos cristãos vindos do judaísmo (e para quem a salvação dependia da prática da Lei de Moisés), quer aos cristãos vindos do paganismo (e para quem a Lei de Moisés constituía um empecilho) o essencial da mensagem cristã. Paulo insiste, sobretudo, no fato de a salvação não ser uma conquista do homem, mas um dom do amor de Deus. Na verdade, todos os homens vivem mergulhados no pecado, pois o pecado é uma realidade universal; mas Deus, na sua bondade, a todos “justifica” e salva; e essa salvação é oferecida por Deus ao homem através de Jesus Cristo; ao homem, resta aderir a essa proposta de salvação, na fé.

O texto que nos é proposto é a parte final de uma perícopa que começa em Rom 5,1. Nessa perícopa, Paulo explica o que brota dessa “justificação” que Deus nos ofereceu: em primeiro lugar, a paz, que é a plenitude dos bens; em segundo lugar, a esperança, que nos permite caminhar por este mundo de cabeça levantada, de olhos postos no futuro glorioso da vida em plenitude.

Evangelho: segundo Mateus (Mt 9: 36 – 10: 8)

Depois de ter apresentado Jesus e de ter mostrado Jesus a anunciar o “Reino” em palavras e em obras, Mateus vai descrever o envio dos discípulos em missão. Os discípulos são aqueles que Jesus chamou, que responderam positivamente a esse chamamento e seguiram Jesus; durante a caminhada que fizeram com Jesus, escutaram os seus ensinamentos e testemunharam os seus sinais. Formados por Jesus na “escola do Reino”, eles podem agora ser enviados ao mundo, a fim de anunciar a todos os homens a chegada do “Reino dos Céus”.

Os estudiosos do Evangelho segundo Mateus costumam chamar ao texto que vai de 9,36 a 11,1, o “discurso da missão”: nele, Jesus envia os discípulos e define a missão desses discípulos – anunciar a chegada do “Reino”. Este “discurso da missão” consta de várias partes: uma introdução; o chamamento e o envio dos discípulos; uma instrução sobre o “caminho” que os discípulos têm de percorrer; uma conclusão.

Trata-se de um discurso composto por Mateus a partir de diversos materiais. O autor combinou aqui relatos de envio, “ditos” de Jesus acerca dos “doze” e várias outras “sentenças” de Jesus que originalmente não foram proferidas neste contexto concreto.

Mateus escreve o seu Evangelho durante a década de 80. Dirige-o a uma comunidade viva e entusiasta, profundamente empenhada na actividade missionária (poderá ser a comunidade cristã de Antioquia da Síria). No entanto, as dificuldades encontradas no anúncio do Evangelho e a perseguição traziam essa comunidade algo desorientada e perturbada. Neste contexto, Mateus compôs uma espécie de “manual do missionário cristão”, que enraíza a missão em Jesus Cristo, apresenta os conteúdos do anúncio que os discípulos são chamados a proclamar e define as atitudes fundamentais que os missionários devem assumir.