Três meses depois de terem escapado do Egito, os hebreus, conduzidos por Moisés, chegaram ao deserto do Sinai e acamparam diante de um monte. Foi diante desse monte que celebraram uma Aliança com Javé, o Deus que os tinha salvo da escravidão do Egito.
No texto bíblico não há indicações geográficas suficientes para conseguirmos identificar o “monte da Aliança”. Em si, o nome “Sinai” não designa um monte, mas sim uma enorme península de forma triangular, com mais ou menos 420 quilômetros de extensão norte/sul, estendendo-se entre o Mediterrâneo e o Mar Vermelho. A norte, junto do Mediterrâneo, o Sinai apresenta uma faixa arenosa de cerca de 25 quilômetros de largura; mas à medida que se desce para sul, o território torna-se mais acidentado, com montanhas que chegam a atingir os 2600 metros de altura. Uma tradição cristã tardia (séc. IV) identifica o “monte da Aliança” com o Jebel Musa (o “monte de Moisés”), uma montanha com 2244 metros de altitude, situada a sul da península sinaítica. Embora a identificação do “monte da Aliança” com este lugar levante problemas, o Jebel Musa é, ainda hoje, um lugar de peregrinação para judeus e cristãos.
O compromisso (“berit” – “Aliança”) celebrado no Sinai, diante de um monte, entre Deus e Israel ficou plasmado num documento conhecido como “Decálogo” ou “Dez Palavras”. O “Decálogo” ou “Dez mandamentos” era, sem dúvida, o coração da Aliança e apresentava os valores fundamentais que deviam marcar o comportamento do Povo de Deus, quer em relação a Javé, quer em relação aos compromissos comunitários. No entanto, as leis do “Decálogo” elencavam princípios gerais e não consideravam todos os casos e situações particulares que a vida pode comportar. Foi necessário, portanto, definir outras normas, mais concretas, que regulassem as muitas situações e “casos” da vida. Nesse sentido, os legisladores de Israel acrescentaram ao “Decálogo” um bloco heterodoxo de leis, que se convencionou chamar “Código da Aliança”. Embora apresentadas como ditadas por Deus a Moisés são, na realidade, leis de proveniência diversa, cuja antiguidade continua a ser discutida, mas que a maioria dos comentadores faz remontar ao tempo dos “juízes” (séc. XII a.C.).
O “Código da Aliança” regula dimensões diversas da vida do Povo de Deus, desde o culto até às relações sociais. São prescrições, soluções, disposições, indicações que solucionam dificuldades, explicam princípios e ordenam a conduta dos homens nas situações comuns e variáveis da existência. Nele sobressai, não apenas uma consciência muito viva de que Israel é chamado à comunhão com Deus, mas também um forte sentido social. Mostra um Povo empenhado em concretizar os compromissos da Aliança na vida do dia a dia. Sugere, além disso, que a fé de Israel não é uma realidade abstrata ou fantasmagórica, mas algo bem vivo, que toca cada momento e cada passo da existência.
A primeira leitura deste domingo oferece-nos um extrato do “Código da Aliança”. Apresenta um conjunto de leis humanitárias que se destinam à proteção dos mais desamparados.