Compreender os textos Bíblicos não é tarefa fácil, e se torna praticamente impossível se não levarmos em conta os aspectos histórico-culturais e os costumes da época em que cada leitura se passa. Há muitas mensagens escritas que se apóiam nestes aspectos, além de leis específicas, metáforas temporais, problemas de tradução e até mesmo estilos usados pelos autores de cada livro, e quais elementos (ou mesmo objetivos) queriam enfatizar em seus textos.

CONDIÇÕES HISTÓRICO-CULTURAIS E COSTUMES DA ÉPOCA DAS PASSAGENS BÍBLICAS

LEITURAS DA SEMANA

"PRÓXIMA REUNIÃO: 27 / Maio 8:00pm"

Antes de cada reunião semanal, colocaremos nesta página informações úteis, sobre cada leitura, para nos ajudar nesta "viagem no tempo" e, assim, com o auxílio do Espírito Santo de Deus, entendermos as mensagens com este pano de fundo histórico e, finalmente, podermos transportá-las aos nossos dias e às nossas circunstâncias de hoje.

Ref. Domingo 31 / Maio / 2026

Domingo de Pentecostes - Ano A

1ª Leitura:  Livro do Êxodo (Ex 34: 4b-6, 8-9)

O nosso texto faz parte das “tradições sobre a aliança do Sinai” – um conjunto de tradições de origem diversa, cujo denominador comum é a reflexão sobre um compromisso (“berit” – “aliança”) que Israel teria assumido com Jahwéh.

O texto nos situa no deserto do Sinai, “em frente do monte”. No texto bíblico, não temos indicações geográficas suficientes para identificar o “monte da aliança”. Em si, o nome “Sinai” não designa um monte, mas uma enorme península de forma triangular, com mais ou menos 420 quilômetros de extensão norte/sul, estendendo-se entre o mar Mediterrâneo e o mar Vermelho (no sentido norte/sul) e o golfo de Suez e o golfo de Áqaba (no sentido oeste/este). A península é um deserto árido, de terreno acidentado e com várias montanhas que chegam a atingir 2400 metros de altura.

Segundo alguns autores, este texto pode ter sido a primitiva versão jahwista da aliança do Sinai (séc. X a.C.); mas, na versão final do Pentateuco (sécs. V-IV a.C.), foi utilizado para descrever a renovação da primeira aliança, entretanto rompida pelo pecado do Povo. No estado atual do Pentateuco, o esquema é o seguinte: Israel comprometeu-se com Jahwéh; mas, durante a ausência de Moisés, no cimo do monte, o Povo construiu um bezerro de ouro para representar Jahwéh – o que lhe estava interdito pelos mandamentos da aliança; então, Moisés intercedeu pelo Povo e Deus renovou a aliança com Israel.

2ª Leitura:  Segunda Carta de S. Paulo aos Coríntios  (2Cor 13: 11-13)

A Primeira Carta aos Coríntios (que criticava alguns membros da comunidade por atitudes pouco condizentes com os valores cristãos) provocou uma reação extremada e uma campanha organizada no sentido de desacreditar Paulo. Este, informado de tudo, dirigiu-se apressadamente para Corinto e teve um violento confronto com os seus detratores. Depois, retirou-se para Éfeso. Tito, amigo de Paulo, fino negociador e hábil diplomata, partiu para Corinto, a fim de tentar a reconciliação.

Paulo, entretanto, partiu para Tróade. Foi aí que reencontrou Tito, regressado de Corinto. As notícias trazidas por Tito eram animadoras: o diferendo fora ultrapassado e os coríntios estavam, outra vez, em comunhão com Paulo.

Reconfortado, Paulo escreveu uma tranquila apologia do seu apostolado, à qual juntou um apelo em favor de uma coleta para os pobres da Igreja de Jerusalém. Esse texto é a nossa Segunda Carta de Paulo aos Coríntios. Estamos nos anos 56/57.

O texto que nos é proposto é, precisamente, a conclusão da Segunda Carta de Paulo aos Coríntios. Se compararmos esta despedida com a da Primeira Carta aos Coríntios, ela nos surpreende pela brevidade, frieza e impessoalidade. Não parece a despedida de uma “carta de reconciliação”, mas antes uma despedida entre partes que conservam uma certa tensão na sua relação.

Evangelho: segundo João (Jo 3: 16-18)

O nosso texto pertence à seção introdutória do Quarto Evangelho . Nessa seção, o autor apresenta Jesus e procura – através das contribuições dos diversos personagens que vão sucessivamente ocupando o centro do palco e declamando o seu texto – dizer quem é Jesus.

Mais concretamente, o trecho que nos é proposto faz parte da conversa entre Jesus e um “chefe dos judeus” chamado Nicodemos. Nicodemos foi visitar Jesus “de noite”, o que parece indicar que não se queria comprometer e arriscar a posição destacada de que gozava na estrutura religiosa judaica. Membro do Sinédrio, Nicodemos aparecerá, mais tarde, a defender Jesus, perante os chefes dos fariseus; também estará presente na altura em que Jesus foi descido da cruz e colocado no túmulo.

A conversa entre Jesus e Nicodemos apresenta três etapas ou fases.

Na primeira, Nicodemos reconhece a autoridade de Jesus, graças às suas obras; mas Jesus acrescenta que isso não é suficiente: o essencial é reconhecer Jesus como o enviado do Pai.

Na segunda, Jesus anuncia a Nicodemos que, para entender a sua proposta, é preciso nascer de novo, mas “nascer de Deus” e explica-lhe que esse novo nascimento é o nascimento “da água e do Espírito”.

Na terceira, Jesus descreve a Nicodemos o projecto de salvação de Deus: é uma iniciativa do Pai, tornada presente no mundo e na vida dos homens através do Filho e que se concretizará pela cruz/exaltação de Jesus. O nosso texto pertence a esta terceira parte.