A primeira Carta de Pedro é endereçada aos cristãos de cinco províncias romanas da Ásia Menor (a carta cita explicitamente a Bitínia, o Ponto, a Galácia, a Ásia e a Capadócia. Não sabemos exatamente quem é o seu autor. É verdade que ele, logo no início da carta, se apresenta com o nome do apóstolo Pedro; contudo, a análise literária e teológica da carta não confirma essa indicação. Em termos literários, a qualidade literária da carta parece estar bem acima daquilo que seria a maneira de escrever de um pescador pouco instruído, como era o caso de Pedro; em termos teológicos, a “catequese” apresentada parece nos situar numa época bem posterior à de Pedro, quando a reflexão cristã já tinha conhecido uma significativa evolução. A tudo isto devemos acrescentar um outro dado significativo: o “ambiente” descrito na carta corresponde, claramente, à situação das comunidades cristãs nos últimos anos do século primeiro. Ora, se Pedro morreu em Roma durante a perseguição de Nero (por volta do ano 67), não pode ser o autor deste escrito. O autor da carta será, portanto, um cristão anônimo culto e que conhece profundamente a difícil situação das comunidades cristãs da Ásia Menor. Ele escreve em finais do séc. I (nunca antes dos anos 80), provavelmente a partir de uma comunidade cristã não identificada da Ásia Menor.
Os destinatários desta carta parecem ser comunidades cristãs das zonas rurais da Ásia Menor. A maioria dos membros dessas comunidades são camponeses pobres, que cultivam as propriedades da gente rica. Também há, nestas comunidades, pequenos proprietários que vivem em aldeias, à margem das grandes cidades. Trata-se, em qualquer caso, de gente que economicamente débil e vulnerável à hostilidade que o Império começa a manifestar para com o cristianismo.
O autor da carta exorta esses cristãos a manterem-se fiéis à sua fé, apesar das dificuldades. Convida-os a olharem para Cristo, que passou pela experiência da paixão e da cruz, antes de chegar à ressurreição; e exorta-os a manterem a esperança, o amor, a solidariedade, vivendo com alegria, coerência e fidelidade a sua opção cristã.
O texto que nos é proposto faz parte de uma seção parenético-doutrinal, que tem como finalidade exortar os cristãos a crescer na fé, de forma a chegarem à salvação.
(*) Parenética: chamada ou exortação moral
(**) Dountrinal: instrução sobre comportamento