Compreender os textos Bíblicos não é tarefa fácil, e se torna praticamente impossível se não levarmos em conta os aspectos histórico-culturais e os costumes da época em que cada leitura se passa. Há muitas mensagens escritas que se apóiam nestes aspectos, além de leis específicas, metáforas temporais, problemas de tradução e até mesmo estilos usados pelos autores de cada livro, e quais elementos (ou mesmo objetivos) queriam enfatizar em seus textos.

CONDIÇÕES HISTÓRICO-CULTURAIS E COSTUMES DA ÉPOCA DAS PASSAGENS BÍBLICAS

LEITURAS DA SEMANA

"PRÓXIMA REUNIÃO: Cancelada - Preparação do Retiro"

Antes de cada reunião semanal, colocaremos nesta página informações úteis, sobre cada leitura, para nos ajudar nesta "viagem no tempo" e, assim, com o auxílio do Espírito Santo de Deus, entendermos as mensagens com este pano de fundo histórico e, finalmente, podermos transportá-las aos nossos dias e às nossas circunstâncias de hoje.

Ref. Domingo 23 / Agosto / 2026

21° Domingo do Tempo Comum - Ano A

1ª Leitura:  Livro do Profeta Isaías (Is 22: 19-23)

O profeta Isaías nasceu por de 760 a.C., muito provavelmente em Jerusalém. Bastante jovem, sentiu-se chamado por Deus para ser profeta (“no ano da morte do rei Ozias” – o que nos coloca por volta de 740-739 a.C.); e vai desempenhar essa missão durante um longo espaço de tempo (os seus últimos oráculos são de finais do séc. VIII ou princípios do séc. VII a.C.), sendo uma espécie de consciência crítica dos vários reis que, nessa fase, presidiram aos destinos do Povo de Deus. De família nobre, Isaías é um homem culto, decidido, enérgico, que frequenta os círculos de poder e faz parte dos notáveis do reino de Judá. Participa nas decisões relativas à condução do reino, fala com autoridade aos altos funcionários e mesmo aos reis. No entanto, isso não significa que apoie as classes altas: os seus maiores ataques são dirigidos aos grupos dominantes – autoridades, juízes, latifundiários, políticos, mulheres da classe alta que vivem num luxo escandaloso… Defende com paixão os oprimidos, os órfãos, as viúvas, o povo explorado e desencaminhado pelos governantes. Convida continuamente o seu povo à conversão, pedindo-lhe que se volte para Jahwéh, que respeite os compromissos assumidos, que reaprenda a viver no âmbito da Aliança, que coloque outra vez Deus e os seus mandamentos no centro da vida e da história.

O oráculo de Isaías que nos é hoje proposto nos leva à época do rei Ezequias. Em 714 a.C., Ezequias atinge a maioridade e toma conta dos destinos de Judá. Movido pelo desejo de reforma religiosa e de independência política, Ezequias manifestará uma certa propensão para alinhar em alianças políticas contra os assírios (que, desde o reinado de Acaz, mantêm Judá sob a sua autoridade). Em resposta, Senaquerib volta-se contra Judá e a devasta… Em 701 a.C., Jerusalém é cercada pelos assírios e Ezequias tem de aceitar uma submissão ainda mais onerosa do que a anterior.

O episódio que nos é narrado, contudo, não se refere aos grandes acontecimentos políticos em que Judá, por esta altura, se vê envolvido. Refere-se, antes, a um episódio doméstico da vida do palácio. Quer Shebna (Sobna), quer Elyaqîm (Eliacim), aqui referenciados, são altos funcionários de Ezequias, que o segundo livro dos Reis cita a propósito de um episódio relacionado com a invasão de Senaquerib.

2ª Leitura:  Carta de S. Paulo aos Romanos  (Rm 11: 33-36)

Nos capítulos 9-11 da Carta aos Romanos, Paulo reflete sobre a questão do acesso de Israel à salvação. A questão aí abordada é a seguinte: Israel rejeitou a oferta da salvação que Deus fez aos homens, através de Jesus Cristo; isso significa que Israel está, definitivamente, afastado da salvação?

Paulo não concorda. Ele acha que Deus – esse Deus que prometeu a salvação a Israel – não pode ser infiel às suas promessas. Talvez Ele tenha deixado que Israel, num primeiro momento, recusasse a salvação, para que os gentios pudessem se beneficiar dos dons de Deus… Deus “escreve direito por linhas tortas” e pode ter permitido algo de aparentemente mau, para daí tirar um bem maior.

De resto, Israel foi, desde os primeiros instantes da sua existência, chamado a ser o Povo de Deus; e esse chamamento é irrevogável. O Povo eleito, chamado por Deus desde os seus inícios, não pode deixar de ser objeto especial da misericórdia de Deus.

O texto que nos é hoje proposto é a conclusão da reflexão de Paulo. Trata-se de um belíssimo hino de louvor, de reconhecimento e de adoração que exalta o desígnio salvador de Deus.

Evangelho: segundo Mateus (Mt 16: 13-20)

O Evangelho deste domingo nos situa no Norte da Galileia, perto das nascentes do rio Jordão, em Cesareia de Filipe (na zona da actual Bânias). A cidade tinha sido construída por Herodes Filipe (filho de Herodes o Grande) no ano 2 ou 3 a.C., em honra do imperador Augusto.

O episódio que nos é proposto ocupa um lugar central no Evangelho de Mateus. Aparece num momento de viragem, quando começa a perfilar-se no horizonte de Jesus um destino de cruz. Depois do êxito inicial do seu ministério, Jesus experimenta a oposição dos líderes e um certo desinteresse por parte do Povo. A sua proposta do Reino não é acolhida, senão por um pequeno grupo – o grupo dos discípulos.

É, então, que Jesus dirige aos discípulos uma série de perguntas sobre si próprio. Não se trata, tanto, de medir a sua quota de popularidade; trata-se, sobretudo, de tornar as coisas mais claras para os discípulos e confirmá-los na sua opção de seguir Jesus e de apostar no Reino.

O relato de Mateus é um pouco diferente do relato do mesmo episódio feito por outros evangelistas (Mc 8,27-30). Mateus remodelou e ampliou o texto de Marcos, acrescentando a afirmação de que Jesus é o Filho de Deus e a missão confiada a Pedro.